Plástico: de solução a vilão

Por Daniel Santos

Você já parou para pensar que o primeiro plástico produzido no mundo ainda está se decompondo em algum lugar do planeta Terra?

A palavra plástico tem origem grega e significa aquilo que pode ser moldado. O plástico não está disponível na natureza. É obtido através de processos químicos, portanto, não é natural. Vamos saber como foi descoberto esse material multifuncional (coringa) que está por toda parte?

O primeiro registro é de Alexander Parkes que, em 1862 (sec. XIX), descobriu um material orgânico derivado da celulose, conhecido como parkesina. A ideia dele era substituir a borracha, que era a matéria-prima mais utilizada na época, por esse material, porém, os altos custos para a produção não foram atrativos para o mercado na época.

Então, há cerca 100 anos, Leo Hendrik Baekeland criou a primeira resina totalmente sintética: a baquelita, que permitiu controlar as variações do calor e da pressão na combinação de ácido carbólico (fenol) com formaldeído, surgindo o plástico.

A partir de seu surgindo, o material vem sendo aperfeiçoado, tornando-se um elemento quase que indispensável nas indústrias, de quaisquer segmentos. Existem muitos tipos de plásticos e eles são divididos em dois grupos, de acordo com as suas características de fusão ou derretimento: termoplásticos e termorrígidos.

Os termoplásticos são aqueles que amolecem ao serem aquecidos, podendo ser moldados, e, quando resfriados, ficam sólidos e tomam uma nova forma. Esse processo pode ser repetido várias vezes. Correspondem a 80% dos plásticos consumidos. São exemplos as garrafas Pets, embalagens de produtos de limpeza, de grãos, de iogurtes, brinquedos etc.

Os termorrígidos ou termofixos são aqueles que não derretem quando aquecidos, o que impossibilita a sua reutilização através dos processos convencionais de reciclagem. São exemplos, nesse sentido, solado de calçados, peças de banheiros, peças industriais elétricas e outros.

Como se percebe, o plástico foi umas das principais descobertas para atender a sociedade no último século. Entretanto, o uso descontrolado, principalmente dos que são descartáveis, está sendo a causa de um dos problemas ambientais de maior impacto no planeta, atualmente.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU)/Meio Ambiente, se o consumo continuar desenfreado e o encaminhamento feito de forma errada, em 2050 o mar terá mais plástico do que peixes.

Um dos principais movimentos mundiais contra o consumo de plástico é realizado pela Fundação Plastic Free July (Julho Livre de Plástico), que tem por objetivo chamar a atenção para a importância da redução da poluição plástica. A entidade estima que são lançados nos oceanos, anualmente, cerca de 12,7 milhões de toneladas de plásticos.

Vamos aproveitar a data, portanto, para fazer nossa reflexão e evitar o uso de plásticos, utilizando copos e sacolas reutilizáveis, recusando descartáveis, optando por produtos embalados em vidro, metal e papelão.

(Artigo Publicado originalmente no Portal A Crítica)

Daniel Santos
Daniel Santos
Biólogo e especialista em Gestão de Recursos Naturais e Meio Ambiente, pela UniNorte. Especialista em Ecologia, pelo CRBio 06. Embaixador, consultor e auditor do Instituto Lixo Zero Brasil (ILZB). CEO da Damata Consultoria em Meio Ambiente. Diretor Conselheiro Tesoureiro do Conselho Regional de Biologia da 6a Região.

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