Vírus Herpes Zóster pode ser prevenido com vacina

Em Manaus, a maioria dos pacientes, em torno de 60%, é mulher. Foto: Reprodução.

Por Olívia de Almeida

Desde que a novela da Globo, Travessia, passou a abordar a Herpes Zóster, o assunto tem chamado a atenção da população. Na trama, o personagem Monteiro, interpretado pelo ator Ailton Graça, foi diagnosticado com a doença, que é chamada popularmente como cobreiro. Em Manaus, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), neste ano, 533 pacientes foram atendidos com Herpes Zóster, enquanto em 2021 foram registrados 661. Mais da maioria desses pacientes, em torno de 60%, é mulher, conforme registros nesses dois anos seguidos.

A boa notícia é que a doença pode ser prevenida, em alguns casos, com vacina. Crianças, jovens e adultos que nunca tenham tido podem se prevenir gratuitamente através da vacina contra a Varicella, que é disponível nas unidades básicas de saúde e faz parte do plano de imunização nacional.

Já para os adultos que sofreram com a varicela quando crianças e podem desenvolver a Herpes Zóster, além de pessoas que são fatores de risco para a doença e pacientes com mais de 60 anos, a vacina contra a doença é indicada e está disponível na rede privada de saúde.

Porém, de acordo com o médico infectologista Antônio Magela Tavares, nem todo paciente é apto a tomar essa vacina. É necessário, antes, passar por uma avaliação médica, porque ela é contraindicada para pessoas que possuam alergia grave a algum dos seus componentes.

O médico informa que não existe uma explicação clara para que nos últimos anos a doença tenha acometido mais mulheres do que homens. “Talvez por conta das alterações hormonais, estresse e mudanças imunológicas que as mulheres sofrem”, avalia.

Embora seja contagiosa, os órgãos de saúde possuem poucos dados sobre a doença, isso porque não é de notificação compulsória, ou seja, os médicos e unidades de saúde não são obrigados a comunicar suspeita ou confirmação de casos. “Não é uma doença de potencial epidêmico”, explica o infectologista.

Apesar de acometer mais pessoas idosas e imunossuprimidas, jovens também podem sofrer com a Herpes Zóster, que é pouco conhecida pela população. Ainda há muitas dúvidas sobre a doença, causada pelo mesmo vírus que provoca a Catapora, o Varicella Zóster.

“Depois que o paciente tem catapora, o vírus não é eliminado totalmente do corpo e uma queda de imunidade ou estresse podem reativar o vírus e causar a Herpes Zóster”, disse Antônio Magela.

Além disso, é possível desenvolver a doença por meio de contato com quem a tenha e esteja com a pele com bolhas. Encostar nas bolhas e depois passar a mão nos olhos ou na boca, pode transmitir a Herpes Zóster.

Ardência, lesões, manchas vermelhas e bolhas que causam dores estão entre os principais sintomas da doença, que deve ser tratada com antivirais. Após o desaparecimento das bolhas, a Herpes Zóster não é mais transmissível.

“É importante procurar atendimento médico até as primeiras 72h para encurtar o tempo de permanência da doença”, disse o médico. Cerca de 10% a 15% dos pacientes podem ter reativações da Herpes Zóster, e é aí que acende o sinal de alerta, pois isso pode significar sintomas de outras doenças, entre elas, câncer.

Covid-19

Segundo um estudo da Universidade Estadual de Montes Claros (UNIMONTES), o número de casos de Herpes Zóster aumentou 35% durante a pandemia da Covid-19. Antes da crise sanitária, havia cerca de 30 casos a cada um milhão de habitantes no Brasil. Durante a pandemia, o número aumentou para mais de 40 casos por milhão de habitantes.

O estudo mostrou a possibilidade da relação da desregulação do sistema imunológico provocado pelo coronavírus, além do estresse da pandemia, com o aumento da ativação do vírus Varicela Zóster.

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