Rio Negro atinge a marca de 21,77 metros e Defesa Civil já prepara plano para a cheia de 2022

Cheia histórica teve sua marca no dia 16 de junho de 2021. Márcio James/WWF Brasil – Divulgação

Vanessa Bayma

vanessabayma@canaltres.com.br

MANAUS – AM | Um pacote de medidas e o planejamento para enfrentar a enchente de 2022 será apresentado pela Defesa Civil do Amazonas, no próximo dia 16 de dezembro. O governo do estado já trabalha com o cenário de uma cheia severa para o próximo ano.

Os órgãos de monitoramento reforçam que a cota do rio Negro está um pouco acima este ano, em comparação com o mesmo período de 2020, mas consideram que ainda é cedo para avaliar a situação. Nesta sexta-feira (10), a cota do Rio Negro está em 21,77 metros. No ano passado, nesse mesmo período, se encontrava em 18,59. Esse ano, o estado enfrentou uma cheia recorde, quando o rio atingiu 30,02 metros, em 16 de junho.

De acordo com o engenheiro do Porto de Manaus, Valderino Pereira da Silva, o rio neste momento está acima três metros, em relação ao mesmo período do ano passado. No entanto, não é possível fazer afirmações. “Hoje, está 21,77 metros. No ano passado, nesse período, o rio se encontrava com 18,59 metros. No entanto, a subida foi de 17 centímetros, enquanto até ontem (quinta-feira, 09), subiu apenas 8 centímetros”, explicou o engenheiro, responsável por fazer a medição no porto há 35 anos.

Até o mês de dezembro, ainda segundo o engenheiro, o rio subiu 2,33 metros. “Temos que avaliar as chuvas, principalmente na bacia do Amazonas. Essas chuvas que acontecem na cidade, não influenciam. Com o recorde desse ano, muitas famílias foram afetadas – as que moram na baixa, na orla e no interior. Vamos ver como será ano que vem. Está indefinido”, ressaltou.

O regime de chuvas na bacia Amazônica também foi apontado pela gerente de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), Jussara Socorro Cury. Segundo ela, qualquer mudança no volume pluviométrico pode alterar ou estabilizar os níveis. “As cotas desse período estão um pouco acima dos registros considerados normais, ocasionadas pelo período de chuvas nas bacias dos rios Negro, Solimões e Branco. Mas as cotas podem se estabilizar”, informou a pesquisadora.

No último boletim do CPRM, nesta sexta-feira (10), foi informado que na Bacia do Rio Negro, em todas as estações monitoradas, a situação dos níveis permanecia “atípica”. Os números foram considerados acima do esperado para a época, mas a característica, conforme o boletim, se devia aos acumulados de chuvas. “Contudo, a cota acima de 21 metros não tem relação com evento severo de cheia para o próximo ano”, informa o boletim.

Previsão

As chuvas fazem parte do “inverno amazônico”. No mês de novembro, segundo o meteorologista Ricardo Dallarosa, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a precipitação de chuvas em Manaus foi acima dos 50% do volume esperado.

“Tal fato gerou aumento na produção do vapor d’água e, por consequência, maior abundância de umidade e de chuvas no período. Essa anomalia permanece e deve contribuir para manutenção das chuvas acima dos índices climatológicos”, explicou o meteorologista.

Ainda segundo Ricardo Dallarosa, outra situação a ser considerada é a presença do fenômeno La Ninã no Oceano Pacífico Equatorial Central, o qual produz alterações na circulação atmosférica e contribui para a formação de nuvens de chuvas na região.

“As situações permitem uma expectativa robusta para a previsão de chuvas nos meses vindouros. Lembrando, no entanto, que esses excedentes estarão ocorrendo nos meses de estação chuvosa, o que potencializa ocorrências naturais desse período”, concluiu.

Ocorrências das chuvas na capital

Segundo a Defesa Civil de Manaus, de 15 de outubro até 9 de dezembro foram registradas 333 ocorrências na capital. Destas, 92 foram riscos de desabamento; 43 deslizamentos de barranco; 36 alagações e 48 desabamentos (de casas, muros etc).

A Zona Norte foi a área com o maior registro de ocorrências até agora: 131. As comunidades e áreas que compreendem o conjunto Cidade Nova foram os mais afetados. A Defesa Civil também destaca os bairros Jorge Teixeira, na Zona Leste, e todo o seu entorno. Na Zona Sul, os bairros com mais registros são a Colônia Oliveira Machado e a Praça 14.

Nos 62 municípios do Amazonas, a Defesa Civil do estado fez o registro de inundação em 7 municípios da Calha do Juruá; 5 na Calha do Purus; 4 na Calha do Madeira; 6 no Alto Solimões; 8 no Médio Solimões; 9 no Baixo Solimões; 6 no Médio Amazonas; 7 no Baixo Amazonas e 4 no Rio Negro.

No município de Canutama ocorreu erosão de margem fluvial e Amaturá, Jutaí e Uarini apresentaram, ainda, estiagem, com a seca. As informações foram baseadas, de acordo com a Defesa Civil, pelas informações dos municípios e análises feitas através do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres.

Vanessa Bayma
Vanessa Bayma
Jornalista manauara com experiência de mais de 10 anos em jornal impresso. Passou pelas redações de A Crítica e Manaus Hoje como repórter e editora. Fez parte da assessoria de comunicação da Alfândega da Receita Federal. Gosta de ouvir pessoas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui