Osteopatia pediátrica alivia problemas comuns de bebês que preocupam mães de ‘primeira viagem’

Pequenos movimentos e leves são usados na osteopatia. Foto: Divulgação

Vanessa Bayma

vanessabayma@canaltres.com.br

MANAUS – | Toda mãe, principalmente as de “primeira viagem”, já deve ter se perguntado se as poucas horas de sono ou as cólicas que o seu bebê sente são normais. Descartadas algumas doenças, a osteopatia pediátrica vem ganhando espaço em Manaus, não somente pelo tratamento desses sintomas, mas como na correção das alterações e assimetrias do crânio, comuns de alguns partos.

O fisioterapeuta e osteopata pediátrico Wagner Lacouth é coordenador de fisioterapia do Hospital e Pronto Socorro da Criança, na Zona Oeste da cidade, e também atua de forma particular ajudando as famílias da cidade. De acordo com ele, a área está sendo difundida em Manaus há apenas cinco anos, aproximadamente.

“Ela é pouco conhecida no Brasil, mas muito difundida na Europa, principalmente na França, onde faz parte da equipe multiprofissional obstétrica”, explicou o fisioterapeuta, que diz que até os 13 anos de idade a criança pode ser tratada por um profissional da área.

A osteopatia, ele explica, pode ser feita de modo curativo, quando existe uma doença estabelecida e o osteopata atua na redução dos sintomas. No caso preventivo, o trabalho é de prevenir que sintomas e doenças se instalem, trazendo bem-estar e qualidade de vida ao bebê.

“Recebo muitos bebês com torcicolo e por assimetria craniana. Mas os motivos são os mais variados, desde ajuda na amamentação até a famosa ‘espremedeira’, a disquesia (dificuldade para evacuar). Como forma preventiva, a osteopatia ajuda a equilibrar o corpo do bebê e suas funções vão ser melhores”, pontuou o osteopata.

Além da dificuldade na “pega” e amamentação, bem como a assimetria craniana alterada, decorrente da passagem do crânio do bebê pelo canal vaginal materno, outros sintomas comuns podem ser tratados com a especialidade na osteopatia, como: constipação (intestino preso), cólica, refluxo, distúrbio do sono, pé torto congênito, torcicolo congênito, choro excessivo e sem explicações, bebês com postura em “C” ou aqueles cujo parto teve complicações.

Bebês ficam no colo e são feitos movimentos, como na barriga. Foto: Divulgação

“O atendimento é feito a partir de uma avaliação criteriosa, com toques muito sutis no corpo e crânio do bebê. O principal objetivo é reequilibrar os centros reguladores e tirar todas as tensões e restrições que podem gerar uma patologia a curto ou a longo prazo”, disse o profissional.

Não há regra para a duração do tratamento, feito por sessões, e não é necessária uma indicação pediátrica para ser feita uma avaliação. “As sessões duram em torno de 45 minutos, mas já passei duas horas na casa de um bebê. O atendimento de osteopatia pediátrica é uma eterna conexão entre eu e o bebê. É uma ‘dança’ na qual assimilo as informações que o bebê vai me passando, inclusive autorização para fazer as técnicas”, ressaltou. Normalmente, os tratamentos duram cinco semanas, sendo uma sessão por semana.

Alívio materno

O pequeno Heitor Caldas, com 1 ano e 4 meses, é paciente do fisioterapeuta Wagner desde que nasceu, o conhecendo pessoalmente apenas aos três meses de idade. É que ele e a família moram em Curitiba (PR), mas têm família em Manaus, e logo após o nascimento, a mãe, Karen Caldas, sentiu dificuldades em relação à amamentação e observou que ele tinha muito refluxo e cólicas.

Heitor, na época com quatro meses. Tratamento acabou com refluxo em duas sessões. Vídeo: Karen Caldas

Ao questionar o pediatra, as respostas eram sempre as mais genéricas, mas que davam a esperança de que era um momento de adaptação entre mãe e filho e que tudo passaria. “Achei o Wagner pesquisando mesmo. Acho que quando somos mães de primeira viagem é o que mais fazemos. Os pediatras sempre diziam que era normal, mas eu nunca aceitei isso”, explicou Karen Caldas.

Como a distância geográfica impossibilitava uma consulta presencial, Karen contou que Heitor foi atendido pela internet, por meio de vídeos que o fisioterapeuta gravou para ajudar e instruir a mãe. Ao chegar em Manaus, a primeira consulta pessoalmente foi feita e o mundo de Karen mudou.

“Com duas sessões acabou o refluxo. Fiquei chocada. Até hoje, a oportunidade que temos e que a agenda do Wagner permite, ele segue fazendo as sessões”, contou a mãe, que citou que as cólicas e o refluxo sumiram, consequentemente, fazendo o filho dormir muito melhor. Além disso, ajudou na assimetria craniana, já que o bebê nasceu de parto normal e teve uma pequena alteração na assimetria da cabeça.

“Se todas as mães pudessem ter acesso a um profissional assim, com certeza teriam um pós-parto muito mais leve. Agora, estou em Manaus e, até irmos embora, todo domingo o Heitor tem um encontro com o Wagner”, destacou Karen.

Sono

A dificuldade para dormir é um problema comum citado pelas mães e pais dos bebês. No entanto, é preciso observar outras questões para ajudar a manter uma rotina adequada de sono, segundo o osteopata pediátrico. “O bebê precisa ter uma rotina, estar bem nutrido, em ambiente seguro e aconchegante. A iluminação também precisa ser adequada. Não adianta eu equilibrar todo o corpo do bebê se essas questões não forem colocadas em prática”, disse.

De acordo com Wagner, existe todo um conjunto para o bebê dormir bem e, se mesmo assim ele continuar não dormindo, o pediatra e um osteopata devem avaliar a situação. De acordo com ele, um recém-nascido dorme em torno de 18 horas por dia. Ao completar um mês, de 16 a 18 horas; com 2 meses, 15 a 16 horas; com quatro, 9 a 12 horas por dia.

Vanessa Bayma
Vanessa Bayma
Jornalista manauara com experiência de mais de 10 anos em jornal impresso. Passou pelas redações de A Crítica e Manaus Hoje como repórter e editora. Fez parte da assessoria de comunicação da Alfândega da Receita Federal. Gosta de ouvir pessoas.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui