ELEIÇÕES 2022: Candidaturas coletivas batem recorde em quase todos os estados

A maioria das candidaturas coletivas é para vagas no legislativo estadual e federal. Para o Senado são três candidaturas. FOTO: Agência Senado.

REDAÇÃO

MANAUS – |As candidaturas coletivas, que reúnem grupos afins em suas propostas e posturas sociais, estão ganhando, a cada eleição, mais corpo e mais força. Embora não seja a novidade do ano, desta vez elas bateram recorde, com registro de 213 coletivos em quase todos os estados brasileiros, para disputar vagas nas Assembleias Legislativas, Câmara dos Deputados e Senado Federal.

O Nordeste concentra 37% das candidaturas coletivas deste ano, o Sudeste tem 24%. Do total, 64% tentam uma vaga no legislativo estadual, enquanto 34% miram uma vaga na Câmara dos Deputados. Três coletivos requereram registro para a disputa por uma vaga ao Senado. O Psol é o partido que concentra um terço dessas iniciativas.

No Amazonas, existem nove candidaturas coletivas, seis para deputado estadual e três para deputado federal. Ao contrário do que ocorre na maior parte do país, aqui a maioria está vinculada a militares e aos partidos ligados ao presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro. Das candidaturas estaduais, quatro são dessa natureza e duas ligadas aos partidos de esquerda. Das federais, apenas uma é de esquerda.

O “boom” das candidaturas coletivas pode ser atribuída a alguns fatores. Dentre eles, o fato de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em resolução publicada no final do ano passado, permitir que o nome do coletivo seja levado às urnas. Mas, ainda é obrigatório que os candidatos, individualmente, tenham registros junto à Justiça Eleitoral. Então, na prática, a urna levará o nome do candidato e, ao lado, o do coletivo.

Um outro fator é o político, uma vez que as candidaturas coletivas podem agregar pessoas com afinidades de pensamentos, valores e bandeiras. Esse tem sido o motivo para que as candidaturas coletivas sejam, preponderantemente, levadas por mulheres e grupos ativistas, como os étnicos e os LGBTQIA+, por exemplo. Entre os titulares há mais mulheres e pessoas autodeclaradas pretas do que a média nacional, o que reforça a percepção de que podem facilitar a inserção de grupos com difícil entrada na política.

O outro fator é o econômico, uma vez que a agregação de várias pessoas em uma mesma candidatura pode facilitar à captação de votos, diante de um modelo eleitoral que beneficia o poder econômico e os partidos maiores, seja na distribuição do tempo na propaganda eleitoral, seja na distribuição dos recursos públicos.

Pelo mandato coletivo, os políticos envolvidos se comprometem em dividir o gabinete e mandato com um grupo de pessoas, compartilhando gestão e votando de acordo com a deliberação desse grupo.

A bancada das Manas reúne cinco candidatas que disputam as eleições pela segunda vez. FOTO: Reprodução.

Bancada das Manas – As mulheres da Bancada das Manas vão disputar a segunda eleição este ano. Em 2018, elas concorreram a uma vaga na Câmara Municipal de Manaus e obtiveram quase 8 mil votos, mas não se elegeram. Faltou legenda para garantir a vaga. Este ano elas estão de volta, disputando uma das cadeiras na Assembleia Legislativa. Elas prometem uma atuação no conceito ‘Nosso Norte’.

“Nós atuaremos, prioritariamente, nas ruas e comunidades do Amazonas, abriremos nossos escritórios regionais para lidar com as demandas do interior do estado de modo mais comprometido, e dialogaremos com os deputados para ocuparmos as comissões que abarcam nossos nortes da candidatura”, afirma a advogada e ativista materna, Alessandrine da Silva, uma das integrantes da candidatura coletiva.

De acordo com ela, uma das maiores curiosidades das pessoas é saber como atuar em um gabinete coletivo. “Ficamos felizes em dizer que não existe uma fórmula. Nós atuamos juntas há muitos anos e compreendemos nosso ritmo de atuação, então, enquanto uma estiver em reunião de comissão, outra estará o interior do estado, outra estará fiscalizando o executivo, mas sempre estaremos integradas e pensando nosso mandato juntas e ao lado das pessoas do nosso estado”, destacou. “O mandato da Bancada das Manas será a prática do programa que construímos durante nossa pré-campanha e campanha. Atuaremos juntas”, concluiu.

Além de Alessandrine, integram a bancada das manas outras quatro mulheres: a produtora cultural Michele Andrews; a administradora Val Fontes; a assistente social Marlklize Siqueira; a líder comunitária Patrícia Andrade. Todas autodeclaradas negras.

Experiência anteriores – Segundo levantamento feito pela Frente Nacional de Mandatas e Mandatos Coletivos, entre 2018 e 2020, foram registradas 28 candidaturas coletivas eleitas em todo o país, sendo duas delas para as Assembleias Legislativas de Pernambuco e São Paulo, e as outras 26 para Câmaras Municipais.

No total, nas eleições de 2020, 250 coletivos foram lançados para disputar o cargo de vereador. Os mandatos coletivos em vigor hoje estão distribuídos entre nove partidos: PSol, PT, PCdoB, PV, PSB, Rede, PDT, Cidadania e Avante

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