CRIANÇAS E ADOLESCENTES: Em pleno século XXI, violência física é usada como método para ‘educar’

Violência física, sexual, psicológica e até institucional contra crianças e adolescentes estão entre os casos que chegam à rede de proteção. FOTO: Reprodução.

REDAÇÃO

MANAUS – |Em pleno século XXI, a violência física ainda é o método utilizado por pais ou responsáveis para “educar” crianças e adolescentes. E há muito mais água por baixo dessa ponte. Mais que educar, a agressão física expressa a posição de poder e autoridade do adulto, um meio de exigir obediência, disciplina e impor submissão. Um tipo de violência que se escreve na pele (hematomas, ferimentos, queimaduras) e quase sempre praticada dentro do próprio lar. E, também quase sempre, seguida de outros tipos de violência, como a psicológica e a negligência, capazes de deixar profundas sequelas nas vítimas.

Nos últimos três anos, o Núcleo Especializado de Promoção e Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Nudeca), da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE_AM), fez mais de 34 mil atendimentos na área da Infância e da Juventude, 11.157 deles só de janeiro a julho deste ano, com casos de diversas naturezas, como pensão alimentícia, ato infracional, ações de guarda e outros.

No entanto, a defensora pública Juliana Lopes, responsável pelo Nudeca, destaca que os principais atos de violência praticados contra crianças e adolescentes são de fundo sexual (abuso, exploração sexual) e físico. Ambos, geralmente, ocorrem no âmbito familiar.

O Nudeca, coordenado pela defensora Juliana, atendeu mais de casos relacionados à infância e Adolescência. FOTO: Divulgação/MPE.

“A violência física contra criança e adolescente existe sobre o pretexto de ensinar. É aquele pensamento: eu cresci apanhando e estou bem”, destaca a defensora. “Nós precisamos mudar essa cultura. A sociedade precisa entender que a violência não é solução para nada. Precisamos descontruir essa ideia de que a educação vem através da palmada, da dor física, e começar a criar um ambiente mais salubre para as crianças e adolescentes”, orienta.

A defensora também destaca que, segundo levantamento feito pelo Ministério da Saúde, a maior causa de morte de pessoas entre 1 e 29 anos vem de fatores externos e não por doenças. “E nas crianças de 1 a 10 anos, essas causas externas são agressões que ocorrem no âmbito familiar. Muitas crianças têm apresentado relatos de serem acorrentadas, apanharem com ferro e com cinturão”, conta. “É importante falar da violência física, porque elas deixam graves sequelas, entre elas as psíquicas”, alerta.

A violência sexual ocorre quando a vítima, criança ou adolescente, tem desenvolvimento psicossexual inferior ao do agressor, que a expõe a estímulos impróprios para a idade ou a utiliza para sua satisfação sexual ou de outra pessoa. Estas práticas são realizadas por meio de violência física, ameaças e mentiras, e a vítima é forçada a práticas sexuais eróticas sem ter capacidade emocional ou cognitiva para consentir ou avaliar o que está acontecendo. É uma relação com objetivo de satisfazer unilateralmente o abusador e pode ser classificada de acordo com a forma (tipo) e com o contexto onde ocorre.
Os tipos ou formas de abuso sexual podem envolver contato sexual com penetração (oral, vaginal e anal), sem penetração (tentativa para ter sexo oral, vaginal e anal), atividade sexual envolvendo toque, carícias e exposição do genital, exploração sexual envolvendo prostituição, pornografia, voyeurismo e assédio sexual.
O abuso sexual pode ser intrafamiliar, extrafamiliar ou institucional. O abuso sexual intrafamiliar é o mais freqüente. Ele envolve a atividade sexual com um membro imediato da família (pai, padrasto, irmão) ou próximo (tio, avô, tia), ou com parentes que a criança ou adolescente considere como membros da família. Esta forma de abuso é uma manifestação de disfunção familiar e costuma ser crônica, recidivante e sem violência.
O abuso sexual extrafamiliar é qualquer forma de prática sexual envolvendo uma criança /adolescente e alguém que não faça parte da família. Na maioria dos casos, o agressor é conhecido e tem acesso à criança (vizinho, religioso, professor, babá, amigo da família). Estes casos habitualmente chegam ao sistema de saúde via Serviços de Emergência, onde a família procura rapidamente o atendimento, relatando o abuso.
Já o abuso sexual institucional ocorre em instituições, cuja função é cuidar da criança no momento em que está afastada da família. Pode ser praticado por uma criança maior ou pelos próprios cuidadores ou funcionários.
Atendimentos – Os casos atendidos pelo Nudeca são, geralmente, encaminhados pela Rede de Atenção, ou seja, pelo Conselho Tutelar, Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente, Creas, e até ONGs que trabalham com a causa da criança e adolescente.

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui