COMIDA INDÍGENA: Restaurante de Manaus inova com gastronomia dos povos Sateré e Tukano Gastronomia

A Casa Biatüwi oferece a experiência da culinária tradicional indígena. FOTOS: Ivan Câmara.

Tayana Martins

MANAUS – |Unindo as tradições culinárias dos povos indígenas Sateré-Mawé e Tukano, a Casa de Comida Indígena Biatüwi vem ganhando destaque, em Manaus. No local, pratos típicos da cultura das duas etnias estão disponíveis para quem quiser viver uma nova experiência gastronômica, com ingredientes à base de tucupi preto e amarelo, pimenta defumada e formigas.

Clarinda, a chef, utiliza ingredientes produzido pelos indígenas.

Muito mais que um restaurante, o espaço surgiu com o propósito de fazer um resgate da cultura desses povos, como explica a chef, pedagoga e mestre em Antropologia, Clarinda Maria Ramos, ou Clarinda Sateré-Mawé. “Nós, como indígenas, desde muito tempo fomos oprimidos e obrigados a negar nossa cultura, a negar a nossa língua, os nossos costumes. A ideia é fazer uma reconstrução de tudo aquilo que nós deixamos de praticar”, destacou.

A Casa, que iniciou as atividades há quase dois anos, vem conquistando admiradores tanto da cidade, quanto visitantes nacionais e internacionais curiosos em experimentar os pratos. “Nós temos lá como um local onde podemos falar da nossa cultura através da nossa comida, mostrar a nossa relação com a natureza, com o nosso território. Nossos visitantes chegam curiosos e se sentem bem acolhidos”, reforçou a chef.

Mantendo os laços com as comunidades indígenas do Baixo Amazonas e do Alto Rio Negro, Clarinda explica que todos os ingredientes utilizados nos pratos são produzidos pelos indígenas. O único elemento industrializado é o sal. Além de reforçar a importância da floresta, a iniciativa ajuda a gerar renda para as comunidades.

Pratos e bebidas típicas – Pratos com elementos típicos das culturas Sateré-Mawé e Tukano são servidos no local, como a quinhapira, peixe mergulhado num caldo apimentado com tucupi preto e acompanhado de formiga sahai (saúva). Outras opções são o filé de tambaqui assado na folha de cupuaçu ou de cacau e finalizado com formiga sahai, assim como a mujica, um caldo de peixe apimentado engrossado com goma e peixe desfiado.

Entre as bebidas, destaca-se o aluá, abacaxi fermentado; o tarubá, fermentado de mandioca; e o sapó, bebida típica dos Sateré, à base de guaraná natural.

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