Artigo: O desenvolvimento infantil e o uso de tecnologias digitaisㅤㅤㅤㅤ Artigos

A pedagoga Luana Beatriz Santa Rita alerta sobre o uso das mídias eletrônicas em excesso. Foto: Divulgação

Por Luana Beatriz Santa Rita

MANAUS – AM | Que a tecnologia é parte fundamental do nosso cotidiano, ninguém pode negar. E com a pandemia COVID 19 desencadeada em 2020, a necessidade de isolamento social e as diversas restrições que o mundo inteiro sofreu, as mídias eletrônicas passaram a estar ainda mais presentes na vida da população, tornando-se um dos poucos entretenimentos possíveis para pessoas de todas as idades. No que diz respeito às crianças, a exposição foi ainda maior, seja pela adoção do ensino remoto ou pelo desejo de ocupar o tempo ocioso dos pequenos. Desde então, esta discussão, que já vinha ganhando notoriedade no meio acadêmico e social, ficou ainda mais acalorada, buscando definir quais os aspectos positivos e negativos da exposição precoce de crianças às telas.

Há quem afirme que as tecnologias oportunizam o desenvolvimento da criatividade, a comunicação e a concentração, uma vez que a criança permanece absorvida pelas imagens projetadas e facilmente imita e interage com os personagens apresentados nos vídeos ou jogos. No entanto, em sua maioria, os malefícios sobrepõem-se às possíveis benesses desta interação. Mas, afinal de contas, o que há de tão prejudicial no livre acesso às tecnologias midiáticas pelas crianças? Ora, é possível listar uma série de fatores, todos endossados por estudos e pesquisadores da área do desenvolvimento infantil, compreendendo aspectos desde a cognição até o desenvolvimento motor e social.

Dentre os principais prejuízos, podemos apontar a dependência digital, irritabilidade, ansiedade e até mesmo depressão. A criança apresenta apatia e até comportamentos agressivos quando não está diante do dispositivo ou quando este lhe é retirado. Outro fator bastante comum é o atraso no desenvolvimento da linguagem, além do déficit cognitivo e de atenção. Acontece que a superestimulação causada pelas imagens rapidamente apresentadas e a luminosidade excessiva cansam o cérebro da criança, tornando-a hiperativa e pouco atenta em situações cotidianas e de aprendizagem formal, por exemplo, além do sedentarismo desencadeado por muitas horas diante aparelho. Destaca-se ainda, o acesso ilimitado a conteúdos inapropriados contidos na internet, que representam grande perigo à  integridade da criança.

A infância é um período sensível de aprendizagens e descobertas. A criança, mais do que nunca, aprende a ser, estar e entender o mundo a partir das experiências que vivencia e observa. É, principalmente, pelo olhar atento à conduta do adulto e sua imitação, que ela incorpora o ambiente ao seu redor e estabelece seu próprio repertório comportamental. Estar diante de uma tela por tempo indiscriminado, priva este pequeno sujeito de experiências importantes e fundamentais na sua formação psicológica e socioemocional, além de tantos outros aspectos inerentes à construção de sua identidade.

Muito mais que entretenimento, a criança necessita de presença. Pais, responsáveis e educadores tem o desafio de mediar o uso saudável destes dispositivos, garantindo uma infância segura e dentro das condições necessárias para um crescimento sadio e cheio de afeto. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que crianças de 0 a 2 anos mantenham-se distantes das telas nesse período, ao passo que até os 6 anos de idade, o uso deve ser limitado a menos de duas horas por dia. Resgatar brincadeiras populares, estimular a imaginação através de contação de histórias e até mesmo aproveitar momentos de ócio que permitam à criança contemplar o ambiente ao seu redor, são alguns exemplos de que é possível uma infância feliz longe das telas. Não é uma tarefa fácil, uma vez que educar requer tempo, paciência e dedicação, mas como diria uma querida amiga, “é justo que muito custe o que muito vale”. 

*Luana Beatriz Santa Rita Barbosa, pedagoga, mestre em psicologia e professora da Faculdade  Santa Teresa

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