Após três anos de espera, boicotes e interferências políticas, o longa ‘Medida Provisória’ chega aos cinemas

Lázaro Ramos marca sua estreia como diretor de cinema, com o longa Medida Provisória. FOTO: Reprodução.

BRASIL – | Estreia nesta quinta-feira, (14), nos cinemas brasileiros,  o filme Medida Provisória, dirigido por Lázaro Ramos, com a mulher dele, Taís Araújo, como protagonista. O filme, que está pronto desde 2019, enfrentou problemas graves na estrutura do governo para sua liberação porque a Agência Nacional de Cinema (Ancine) não assinou a autorização para a troca de distribuidora no Brasil e Exterior.

“Um membro do governo puxou boicote ao filme, sem ter assistido, dizendo que o filme foi feito para falar mal do tal Messias [o presidente Jair Messias Bolsonaro]. Depois disso, a assinatura não vinha, depois de solicitações recorrentes. A assinatura chegou depois de a gente adiar quatro vezes”, explicou Lázaro. 

Medidas Provisória é um filme que mostra um futuro distópico no qual o governo brasileiro decreta uma MP como forma de “reparação pelo passado escravocrata”, que obriga os cidadãos negros a migrarem para a África na intenção de retornar a suas origens.

Lázaro falou que o intuito do filme mudou ao longos dos anos de sua produção até chegar à atual situação sociopolítica brasileira. “Era um filme pra pensar em coisas que não gostaríamos de ver em nosso país, que se tornasse um alerta. O tempo passou, várias coisas aconteceram e o filme se tornou um espelho, com os caminhos políticos que a gente escolheu, as perversidades que aconteceram ao longo do tempo. É muito triste: eu não queria fazer um filme que fosse um espelho, mas que fosse um alerta”, explicou ele.

Em entrevista ao programa Roda Viva, Lázaro também falou sobre a cruzada de aliados do presidente Jair Bolsonaro, como o ex-secretário de Cultura Mário Frias e do ex-presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo,  contra o casal. Os ataques vieram depois de Taís ter dito “que os últimos quatro anos não foram só difíceis, foram infernais, em que a gente andou pra trás a galope”.

“Isso é campanha política que estão fazendo em cima de nós, que temos relevância, temos público, tirando foco dos problemas do governo. É uma cortina de fumaça”, disparou Lázaro, que ainda foi questionado sobre as similaridades enfrentadas também pelo amigo Wagner Moura, diretor de Marighella, filme que foi adiado diversas vezes por desagradar ao governo Bolsonaro.

“A imprensa começou a falar em censura através da burocracia. Em uma sexta, 18h30 da tarde, no Festival do Rio, a assinatura chegou, somente depois que isso foi noticiado. Talvez pelo medo de acontecer o que aconteceu com Marighella, de Wagner, que quando a notícia da censura chegou, acabou divulgando mais o filme e foi muito bem-sucedido nos cinemas.”

Com informações do site Quem

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