Após fechamento da janela partidária, legendas exibem nova musculatura

Com as mudanças realizadas na janela partidária, Câmara dos Deputados tem nova configuração. FOTO: Divulgação.

DA REDAÇÃO

MANAUS – Todo ano eleitoral é a mesma coisa: políticos migram de um partido para outro fortalecendo algumas legendas e enfraquecendo outras. Esse troca-troca é regulamentado pela “Janela Partidária”, instrumento legal (Lei 13.165/2015), que estabelece um prazo de 30 dias para que parlamentares possam mudar de partido sem perder o mandato. A Lei se consolidou após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que entendeu que o mandato pertence ao partido e não ao eleito.

Os movimentos se dão por motivos óbvios. De um lado, os que pretendem disputar eleições majoritárias atraem novos seguidores para o seu exército, que será fundamental tanto no período de campanha, quanto na base de apoio de um futuro governo nas casas legislativas. De outro lado, os candidatos proporcionais buscam abrigos em ninhos com maiores condições econômicas, tempo de publicidade, entre outras vantagens.

Com o fechamento da janela, no último dia 2 de abril, já é possível expor a musculatura dos partidos. Nesse período de 30 dias, mais de 70 parlamentares se mexeram em direção a outras siglas. No Amazonas, o troca-troca movimentou 13 dos 24 deputados estaduais.

O PL, partido ao que se recém-filiou o presidente Jair Bolsonaro, se tornou a maior bancada na Câmara dos Deputados, com 73 deputados, mais que o dobro de cadeiras obtidas na última eleição. Grande parte dos novos deputados veio do União Brasil, partido criado pela fusão PSL/DEM, que perdeu 34 dos seus 81 deputados. Outros partidos que cresceram foram o Republicanos, atualmente com 45 deputados, e o PSD, com 43.

Os partidos que mais perderam deputados federais com as mudanças promovidas durante a janela partidária foram o recém-criado União Brasil e o PTB, que era presidido por Roberto Jefferson. O PTB tinha 10 parlamentares e agora tem 6, segundo levantamento da Câmara, sendo uma redução de 40%.

Já o União Brasil, com a fusão do DEM e do PSL, saiu de 81 deputados federais e passou para 52, conforme informações do partido, em uma redução de 35,8%. Por todo o país foram 122 deputados que trocaram de partido, o que representa 23,8% da Câmara.

Outra legenda que teve uma redução significativa foi o PDT, de Ciro Gomes, pré-candidato à Presidência da República. A sigla tinha 25 deputados antes da janela e agora tem 18, encolhendo 28%. Outro partido com redução semelhante durante a janela partidária é o PSB, que saiu de 30 para 22 deputados, encolhendo 26,6%.
O PSB filiou o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin no último dia 23, em evento em Brasília. Ele deve integrar a chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como candidato a vice-presidente.

Na Aleam também houve uma revoada com mais da metade dos parlamentares trocando de partido. FOTO: Divulgação.

Amazonas – A filiação do governador Wilson Lima, que disputará a reeleição em outubro, ao União Brasil, foi determinante para o crescimento desse partido na Assembleia Legislativa, ao contrário do que ocorreu no Câmara Federal.

Dos 24 deputados, 13 mudaram de partido durante a janela partidária para disputar as eleições gerais deste ano. O União Brasil agora tem cinco deputados, incluindo o presidente da Casa. O PL, que tinha apenas um deputado, agora conta com quatro. O Republicanos a passa a ter três e o MDB perdeu os seus dois deputados, o mesmo acontecendo com o PDT, que ficou sem representantes na Aleam.

As mudanças foram: Roberto Cidade (trocou PV por União Brasil); Joana D’Arc (PL por União Brasil); Adjunto Afonso (PDT por União Brasil); Saullo Viana (PTB por União Brasil); Fausto Júnior (MDB por União Brasil); Alessandra Campêlo (MDB por PSC); Mayara Pinheiro (PP por Republicanos); Dermilson Chagas (Podemos por Republicanos); Delegado Péricles (PSL por PL); Tony Medeiros (PSD por PL); Therezinha Ruiz (PSDB por PL); Wilker Barreto (Podemos por Cidadania); Ricardo Nicolau (PSD por Solidariedade).

Fávio Dino foi um a deixar o cargo. FOTO: Reprodução

Desincompatibilização – Governadores de seis Estados brasileiros renunciaram aos cargos na última semana. De acordo com a lei eleitoral, com exceção dos que vão disputar a reeleição, quem pretende entrar na disputa em outro cargo este ano precisa se desincompatibilizar até seis meses antes do primeiro turno da eleição.

Deixaram os cargos de governadores Renan Filho (MDB/AL), Flávio Dino (PSB/MA), Wellington Dias (PT/PI), Camilo Santana (PT/CE). Além deles, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), pré-candidato à presidência da República, e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), ainda sem definição sobre qual posto disputará, também deixaram os cargos.

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